Rosácea x Dermatite Perioral: O que eu aprendi com um diagnóstico errado…

Olá, meninas, etraudo bem?

O post de hoje é bem ‘técnico’, eu acho… mas eu decidi escrevê-lo pois passei por hoguns problemas de pele, incluindo um diagnóstico errado, e notei a escassez e controvérsias de informações a respeito na internet. Imagino que outras pessoas com o mesmo problema tenham feito buscas desesperadas por respostas, assim como eu, então acredito que meu ‘depoimento’ possa ajudá-las.

Vamos começar voltando uns 12 anos, para que a situação fique melhor explicada.

Quando eu tinha 21 anos (hoje estou com 33), procurei a ajuda de uma dermatologista pois tinha uma problema sério de acne severa (aquelas espinhas internas, popularmente chamadas de ‘acne cística’), e fui determinada a pedir um tratamento com Roacutan (medicamento da Roche à base de Isotretinoína). Realizei o tratamento durante seis meses, sem grandes problemas (minha única reação ao remédio foi o ressecamento dos lábios) e acabamos descobrindo que o que causava o meu problema com a acne era o excesso de medicação com vitaminas do complexo B (na verdade, a maior parte das pessoas desenvolve esse tipo de acne quando ingere vitaminas do complexo B em excesso e nem sabe). De qualquer forma, o caso já estava avançado e não regrediria sozinho. O meu problema estava relacionado com o uso de Dramin B6.

Terminei o tratamento e minha pele ficou 100%, salvo uma espinha ou outra que eventualmente aparecia no período menstrual, o que é perfeitamente comum.

Há coisa de um ano, mais ou menos, comecei a notar que minha pele da bochecha direita ficava muito avermelhada em determinados períodos do dia, e algumas vezes ficava dias sem a vermelhidão. Cheguei a ir à dermatologista, e ela me disse que eu estava com a pele sensível ao frio (era inverno) e me receitou o uso da pomada Advantan (por no máximo 7 dias) e protetor solar, sempre.

O quadro melhorou por alguns meses mas voltou a aparecer com muita intensidade em Janeiro deste ano, acompanhado de pequenas ‘bolinhas’ na pele, nas regiões do queixo, buço e entre as sobrancelhas. Essas ‘bolinhas’ eram bem parecidas com espinhas, mas não inflamavam internamente, acumulando o pus que sempre acompanha uma espinha ‘comum’. Na época, eu utilizava um ácido formulado, receitado pela dermatologista para diminuição do aparecimento de sinais de expressão (nome bonito pra anti-rugas… risos), que continha um corticóide e notei que, quando eu usava esse ácido as bolinhas sumiam, quando eu deixava de usar, elas voltavam. Mas, por ser corticóide, não é aconselhável o uso deste ácido por longos períodos, e eu fiquei me questionando como poderia parar com o creme se eu ficava com a pele com esse problema sempre que descontinuava o uso.

Bem, lá fui eu consultar uma dermatologista (que não foi a mesma que me receitou Roacutan há anos, porque na ocasião ela atendia o meu convênio e agora ela só atende particular – e a consulta é cara). A médica então me disse que aqueles sintomas eram de rosácea (uma doença de pele sem cura, que tem apenas controle, que os médicos não sabem por que aparece, e que mesmo o tal ‘controle’ é difícil e à base de medicamentos caros que nada mais são que antibióticos. Como não se sabe o que causa a rosácea, não existem medicamentos específicos, e o tratamento se resume ao uso combinado de antibióticos orais e tópicos (para passar diretamente na pele).

Voltei pra casa muito desanimada porque já tinha lido sobre rosácea e sabia que, tendo esse diagnóstico, teria de conviver com crises o resto da vida. É fato que muitas pessoas portadoras da doença sofrem com crises de depressão, pois há dias em que a pele fica tão vermelha e com tantas dessas bolinhas – chamadas de pústulas – que a gente não quer nem se olhar no espelho, quanto mais sair na rua e ver outras pessoas. Principalmente pela falta de informação sobre a doença, as outras pessoas tem receio de ser contagioso, ou olham para você com certo nojo, como se a causa do problema fosse falta de higiene ou algo assim. É realmente horrível e comigo não foi diferente.

A dermatologista então me disse para que eu parasse com o ácido com corticóide e passasse a usar Elidel (uma pomada antibiótica caríssima, que custa em média R$ 250,00 uma bisnaga com 30g) duas vezes ao dia e, apenas durante o dia, aplicasse o protetor solar (eu uso um formulado pela dermatologista – aquela do Roacutan) em seguida e então voltasse 30 dias depois. Para lavar o rosto, apenas Cetaphil Loção.

Foi aí que o meu pesadelo piorou. A pomada é densa e oleosa, obstrui os poros, e eu ganhei pelo menos uma espinha interna gigante por semana. Inflamava e doía, e mal uma tinha ido embora já aparecia outra. Além disso, as pústulas que antes eram bem pequenas e só apareciam no queixo e no buço, tomaram conta de todo o lado direito do meu rosto, que coçava, ardia, e ficava vermelho como um pimentão e cheio dessas ‘pseudo-espinhas’.

Retornei na dermatologista 30 dias depois e ela disse que reduziríamos o uso da Elidel para apenas uma vez ao dia, durante a noite, e durante o dia era para eu passar Effaclair Duo, da La Roche Posay.

Saí do consultório, passei na farmácia e comprei o tal creme.

Chegando em casa, lavei o rosto (pois havia passado protetor solar antes de sair de casa) e lá fui eu passar o Effaclair. Pra que? Era como seu eu tivesse passado álcool e ateado fogo… começou a coçar, ardeu, ficou muito vermelho e, mesmo depois de ter lavado o rosto novamente, para retirar o produto, levou horas até que a pele acalmasse (com a ajuda de caros mls de água termal).

No dia seguinte, marquei novamente consulta com a dermatologista, para a mesma semana.

Expliquei a situação e ela disse que então testaríamos o Normaderm, da Vichy. “Lá vamos nós com mais dinheiro jogado fora”, pensei eu. Mas por sorte ela tinha amostras grátis do Normaderm e me arrumou algumas para que eu nāo tivesse que comprar de novo e a minha pele não se adaptar.

Mais uma vez, fui pra casa, lavei o rosto, e passei o Normaderm como indicado. Dez minutos depois, a mesma reação do Effaclair.

Desisti desses creminhos e passei a aplicar a Elidel à noite e o protetor solar durante o dia e retornei à médica um mês depois.

Meu rosto melhorou e piorou várias vezes durante esse período, sem que eu entendesse e sem explicações da médica que, ao saber da reação negativa da minha pele ao Normaderm apenas me disse que eu teria que ‘continuar usando Elidel, e SÓ Elidel, até que minha pele deixasse de ter essas reações espontâneas’. Mais decepcionada que nunca, voltei pra casa decidida a procurar a outra dermatologista (a que eu citei no início deste post, responsável pelo meu tratamento com Roacutan), mesmo tendo de arcar com o valor salgado da consulta.

Chegando lá, expliquei toda a saga, dos sintomas iniciais, ao tratamento com Elidel e as crises recorrentes.

Ela achou muito o estranho o diagnóstico e partiu para uma observação mais detalhada, com aquelas lentes com iluminação que os dermatologistas usam para avaliar a situação e diagnosticou não rosácea, mas dermatite perioral, que leva esse nome por geralmente se concentrar na região em torno da boca mas que, sem tratamento, pode atingir todo o rosto. O que era quase o meu caso, pois todo o lado direito do meu rosto estava tomado pela inflamação.

(Update 23.Junho.2015: essa médica em questão não trabalha mais na área médica. Está atuando em outra área e não tem intenção de retornar à medicina. Não tenho outro médico dermatologista para indicar mas muitos foram citados por leitores nos comentários neste post. Caso queira indicações de médicos, por favor, pesquise nos comentários.)

E então partimos para o tratamento correto, com antibiótico oral (Tetralysal 500mg, um comprimido por dia, durante 3 meses), e dois produtos formulados, um sabonete líquido com sulfacetamida sódica e enxofre e um antibiótico tópico (para passar diretamente no rosto) com clindamicina, metronidazol, hidrocortisona e alfadisabolol. Todos esses medicamentos só são vendidos ou formulados com receita médica. Então, se você tem esse problema e gostaria de fazer o tratamento, precisa conversar com um bom dermatologista para que ele avalie o seu caso e te passe uma prescrição.

O antibiótico tópico contém, sim, corticoide, mas ele estava lá em baixa concentração e por um motivo: como eu havia usado corticoide durante muito tempo, a minha pele precisava passar por uma espécie de ‘desmame’ dessa substância. Assim, esse medicamento foi feito uma única vez, para ser usado até que acabasse, com corticoide em baixa concentração, para que então a minha pele pudesse voltar a ficar sadia sem o uso desse tipo de componente.

Ela também me orientou sobre produtos que geralmente causam esse tipo de dermatite, e os mais comuns são a pasta de dentes e esmaltes para as unhas.

Sobre os esmaltes para as unhas, expliquei a ela que eu sempre tinha usado toda e qualquer marca, desde os doze anos, quando comecei a fazer as unhas em casa, e nunca havia tido problemas e então veio a surpresa… Você pode ter usado o produto que for durante toda a sua vida e, de repente, passar a ter alergia. O organismo pode desenvolver uma alergia no decorrer dos anos, sem que você perceba.

E assim, eu excluí da minha vida todo e qualquer esmalte que não seja pelo menos 3free (3free é o termo utilizado para esmaltes livres de 3 substâncias prejudiciais e causadoras de alergia: tolueno, formaldeído (ou formol) e dybutil).

No meu caso houve outra questão… eu havia mudado a minha pasta de dentes há algum tempo, e quando puxei pela memória, notei que o problema havia começado justamente na época em que fiz a troca. Pesquisando sobre isso na internet, descobri até comunidades de pessoas com alergia à mesma pasta, cujo nome não vou citar, já que outras pessoas tiveram problemas judiciais com a marca depois de citá-la na Internet como fonte de alergia. O pessoal que teve problemas diz apenas ‘a pasta de dentes da embalagem azul’. É uma marca muito conceituada, que faz de fio dental a enxaguatório bucal. O resultado para os dentes pra mim foi ótimo, mas prejudicou a minha pele. Deixei de usá-la e voltei para a Close Up Whitening, que eu usava antes do problema aparecer.

O tratamento durou três meses, e embora a dermatite tenha sido curada, minha pele mudou radicalmente. Passou de mista para seca e sensível. Assim, alguns hábitos meus e produtos que eu usava tiveram que ser modificados. Os cremes que passo no rosto são formulados ou para pele extremamente sensível (Avene, Clinique ou a linha Toleriane da La Roche Posay), os esmaltes, como eu disse, pelo menos 3free, protetor solar, apenas físico, nunca químico.

Ou seja, é algo bem delicado e que varia muito de pessoa pra pessoa. Por isso é muito importante um diagnóstico correto e uma longa conversa com um bom dermatologista. Só um bom profissional pode ajudar a diagnosticar corretamente e prescrever o melhor tratamento para o seu caso.

Se você tiver alguma dúvida, fique à vontade para perguntar. Relembrando que eu não sou médica, mas se a sua questão for sobre sintomas ou efeitos colaterais do meu tratamento, por exemplo, podemos trocar experiências.

Quem já passou por esse problema, ou ainda passa, ou até mesmo sofre de rosácea, sabe que é uma causa de depressão quase constante, principalmente para quem tem o mínimo de vaidade, e não há muito espaço pra conversar sobre o assunto, nem mesmo na internet. Procurei por vários logo que fui diagnosticada erroneamente como portadora de rosácea e só encontrei fóruns muito antigos, sem informações atualizadas.

É isso, meninas. Desculpem o post enorme e só com “blá-blá-blá”, mas eu acho que informação nunca é demais.

Beijocas a todas e até amanhã com as unhas da semana. 😉

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