Maquiagem: um pouco de história.

Olá, meninas, tudo bem?

Há uns bons anos atrás eu tive um site de maquiagem com alguns artigos interessantes… como esses artigos estão guardados aqui no meu computador, achei que vocês gostariam do conteúdo e vou postar aos pouquinhos para vocês.

Hoje vou falar um pouquinho da história da maquiagem, desde os anos 20 até os atuais.

Afinal, muitas das meninas que estão começando a se maquiar agora e procuram as tendências, não param de escutar ‘visual anos 70’, ‘visual Audrey Hepburn’, ‘visual Lady Like’… mas não viveram essa época. Então, afinal, o que é essa coisa toda, minha gente?

Vamos lá aprender um pouquinho sobre as características que marcaram todas as épocas?

Anos 20: Liberdade para a maquiagem

A Primeira Guerra colocou todo mundo para trabalhar, inclusive as mulheres. Ganhando seu próprio dinheiro e livres para escolher seu caminho, todas elas – até as menos favorecidas – começaram a usar a maquiagem para marcar sua presença na sociedade. Elas queriam se fazer notar, ser respeitadas e assumiam o direito de ser bonitas, sem que isso tivesse qualquer relação com a sua conduta moral (pintar o rosto deixou de ser encarado como coisa de prostituta).

O cinema, que ganhava toda força naquele momento, contribuiu para o boom da maquiagem. Melindrosas e mulheres sensuais (como as vividas pelas atrizes Theda Bara, Louise Brooks e Gloria Swanson) eram modelos a serem seguidos por todas as que estivessem do lado de cá da tela.

O look da década

Os lábios e os olhos brigavam pelo centro das atenções. O batom em bastão, como conhecemos hoje, foi inventado mais ou menos nessa época, o que facilitou muito a sua aplicação. As bocas eram coloridas com tons marcantes e desenhadas em formato de coração, realçando a sensualidade feminina. Já a maquiagem dos olhos buscou inspiração no oriente, com muito Kohl (o que chamamos de kajal hoje) esfumado para dar a eles um certo ar de mistério e provocação.

Anos 30: O auge do glamour

Essa década, espremida entre as duas guerras mundiais, foi cheia de tensões e paixões. Também nessa época os Estados Unidos passaram por sua pior crise financeira (em 1929 aconteceu o famoso crack da bolsa de Nova Iorque, que repercutiu nos anos seguintes). Já que era difícil ser feliz na vida real, a única saída era buscar refúgio na fantasia. Mais uma vez, o cinema teve um papel fundamental: era nas salas de projeção que as pessoas conseguiam deixar os problemas do lado de fora e dividir as emoções com as misteriosas Greta Garbo, Marlene Dietrich e Jean Harlow, as divas dos anos 30. Todas viviam na tela mulheres distantes, fatais e altamente sedutoras. Garbo e Dietrich ainda reforçavam isso no seu dia-a-dia, e faziam questão de se manter fora do alcance das pessoas comuns. A maquiagem ajudava a realçar esse misto de sedução e frieza.

O look da década

A pele era pálida, e as pálpebras sutilmente coloridas com sombras em pó. Para complementar, sobrancelhas arqueadíssimas e muito finas, desenhadas a lápis. As divas (e quem as copiava) tinham o olhar lânguido e quase displicente – elas não pareciam se importar com os dramas que abalavam o mundo. Cílios curvados, recobertos por várias camadas de máscara. Para evitar todo o excesso considerado vulgar, a maquiagem dos lábios tornou-se mais discreta.

Anos 40: A hora e a vez das femmes fatales

Esse é o momento da feminilidade e, quem não tinha curvas, corria o risco de derrapar. Não é a toa que os decotes vertiginosos e as cinturas marcadas faziam sucesso. Até havia espaço para as damas misteriosas dos filmes noir, mas a sensualidade saltava na tela na pele de personagens como a inesquecível Gilda, vivida por Rita Hayworth em 1946. A guerra acabou em 1945 e, a partir desse momento, o mundo passou a necessitar de mulheres fortes e realistas mas que não deixassem seu poder de sedução de lado. Katherine Hepburn e Ingrid Bergman também marcaram presença nesses anos, graças à sua identificação com esse modelo: eram decididas, lutadoras e muito, muito femininas.

O look da década

Toda a força das novas mulheres acabou se refletindo na maquiagem. Ela ficou mais carregadas, com muito batom vermelho, lábios cheios e bem delineados. As sobrancelhas continuaram desenhadas mas ficaram mais espessas, deixando o rosto com um ar agressivo e sensual.

A beleza, sinônimo de saúde, era considerada um dever nacional. Os efeitos da guerra abalaram o mundo e o mercado de cosméticos teve uma queda em função da falta de matérias-primas. Graxa para as botas serviam como máscara para cílios, o carvão, como sombra de pálpebras, a graxa para sapatos como tintura para as sobrancelhas e pétalas de rosa embebidas em álcool produziam um blush líquido da era vitoriana. Ao longo de todo o conflito, as estrelas usaram cabelos longos, um modo de exprimir feminilidade numa época em que muitos outros meios não eram mais acessíveis.

Anos 50: Uma sensualidade natural

Dessa vez, a sensualidade é diferente da que imperou na década anterior. O sex appeal dos anos 50 era mais direto, vinha do corpo, do olhar e da postura insinuante. Era literalmente um caso de sedução à flor da pele. O bronzeado e suas implicações (a idéia de uma mulher deitada na areia, se entregando ao prazer de se expor ao sol) entrou na moda e as mulheres voluptuosas tiveram seus dias de glória. Brigitte Bardot (que chegou a passar uma temporada em Búzios, Rio de Janeiro, procurando o sol dos trópicos) escandalizou o mundo ao surgir quase nua das águas do mar no filme “E Deus criou a mulher”. Outra representante desta época foi a atriz Ava Gardner, definida pelo francês Jean Cocteau como o mais belo animal do mundo.

O look da década

Sombras nas pálpebras, delineadores, lápis de sobrancelha, e máscaras para cílios faziam todas as atenções ficarem voltadas para os olhos. Os lábios até eram bem desenhados, mas os batons de cores mais suaves deixavam essa parte do rosto em segundo plano. Usava-se a abusava-se de ‘pós-de-arroz’ e pó compacto. Foi nessa época que surgiram os pós faciais puxados para o dourado, imitando o bronzeado e quebrando a palidez do rosto.

Anos 60: A invasão do brilho

Essa foi uma década de grandes mudanças, sobretudo para as mulheres. A pílula foi inventada, a minissaia chegou com tudo, e o mundo ficou espantado com a chegada do homem à Lua. Essa era espacial e futurística provocou uma verdadeira revolução no modo de agir e pensar das pessoas e se refletiu na moda e na maquiagem também. Os tecidos sintéticos ganharam espaço e o brilho chegou ao rosto, com sombras em tons pastéis e cintilantes. Era só olhar na TV para constatar: Samantha, a feiticeira, usava e abusava de saias curtíssimas e Jeannie, quando não estava vestida de gênio, também adorava mostrar as pernas. Isso sem falar do make-up caprichado das duas. Enquanto isso, os Beatles faziam as mocinhas desmaiar e arrancas os cabelos, a Barbarella de Jane Fonda conquistava seu espaço em outros planetas e a magérrima modelo Twiggy fazia sucesso nas passarelas.

Para fazer frente à essa vertente revolucionária, outra tendência também ganhava adeptas: a da sofisticação e da elegância. Jaqueline Onassis, a mais badalada primeira-dama dos Estados Unidos, e a bonequinha de luxo Audrey Hepburn são as melhores representantes dessa corrente.

O look da década

Os olhos estavam em alta outra vez. Além das sombras metalizadas e multi coloridas, aplicadas em degradée, o delineador e os cílios postiços (tanto na parte de cima como na de baixo) garantiam o lugar de destaque para esta área do rosto. Para os lábios, quase nada restou: cores claras e apenas uma insinuação de rosa. A pele foi pelo mesmo caminho, o da palidez; a idéia era não tirar a força do olhar.

Anos 70: A força da cor

Nessa época, tudo era permitido. Desde o amor livre, pregado pelos hippies no final da década anterior, até a overdose de cores que chegou nos embalos da discoteca. Quem não se lembra da personagem Júlia, vivida por Sônia Braga na frenética novela Dancing’ Days, e de seu jeito ousado, quase escandaloso de se vestir? Os brilhos continuaram na moda, mas não da maneira suave dos anos 60; aqui o visual era psicodélico e nem um pouco discreto. Foi a década do salto plataforma, das calças boca-de-sino, e de misturas estranhas como verde com rosa e azul. O filme Hair levou multidões ao cinema, assim como a melosa Love Story, que fez muita gente chorar.

O look da década

Os olhos eram maquiados em tons de verde, rosa, azul… O delineador e o rímel ficaram em segundo plano, perdendo a força que tinham na década anterior. Na boca continuaram as cores claras, mas com uma diferença: os lábios vinham cobertos por uma generosa camada de brilho.

Anos 80: A década over

Nesses anos é possível perceber duas tendências. De um lado, mulheres dinâmicas, que conquistavam seu espaço no mundo dos negócios e que usavam pouca maquiagem. Afinal, num mundo predominantemente masculino, ser clean era sinônimo de ser competente. De outro, as super produzidas, com seus cabelos de pantera, unhas longas e sapatos de salto. Seguras de sua sensualidade – a liberdade sexual já estava mais do que conquistada – usavam roupas justas e carregavam nas cores da maquiagem, quase beirando a vulgaridade. Lembra de Joan Collins e Victoria Principal no seriado Dallas? Era por aí. Outra que ficou famosa, tanto pela beleza como pela produção, foi Brooke Shields. Esse segundo grupo de mulheres invadiu também as capas de praticamente todas as revistas femininas (inclusive as nacionais), com seu look pesado e toneladas de brincos, pulseiras e outros acessórios.

O look da década

Luzes estroboscópicas, dourado e lantejoulas. Muito batom, sombra, rímel e blush (bem marcado) compunham o visual das mulheres dessa época. Na boca, além dos batons de cores fortes, ainda havia espaço para o brilho labial. Nos olhos, imperou uso de degradées combinando grafite, marrom com outras tonalidades fortes como o pink e o violeta, em arco-íris. Para combinar, cílios alongados com máscaras coloridas (verde e azul). Tudo à prova d’água. Definitivamente, sutileza era coisa do passado.

Anos 90: Equilíbrio é a palavra-chave

Produção sim, mas na medida certa. Depois de uma overdose de cor, as mulheres resolveram dar preferência a uma visual mais limpo e elegante. Outra grande razão para essa economia no uso das cores é que a beleza natural — aquela que vem de um corpo bonito e de uma pele bem cuidada — ganha cada vez mais adeptas. A idéia é usar a maquiagem apenas para realçar os pontos fortes.

Mas nesse mundo onde a moda muda sempre, também há espaço para reviver os looks das outras décadas. Já foram relançadas as maquiagens dos anos 60 e 70, e a de 50 vem por aí. A mulher dos anos 90 tem todos os recursos à mão e os melhores produtos para criar os mais diferentes visuais mas, nem por isso, exagera na dose. O grande truque é ser um camaleão e adaptar cada tendência a seu próprio estilo. A supertopmodel Linda Evangelista sabe fazer isso como ninguém. Ela aparece diferente a cada temporada de desfiles e, nem por isso, perde sua identidade.

O look da década

Cansada dos agitos dos anos 80, as mulheres dos anos 90 apresentam uma beleza esquálida e perturbadora que representa uma sociedade em fase de mutação. Tatuagem e piercings fazem do corpo um campo de expressão da feminilidade “debochada”. Por mais que o mundo fashion diga que não, tons neutros sempre vão ser uma boa pedida. Cores como o bege, as variações de marrom e o marfim são campeãs e os batons cor-de-boca não deixam você errar nunca.

De 2000 até os dias atuais: Fragmentos

Não há como negar. A maquiagem hoje é um amontoado de fragmentos de todas as décadas passadas. Em algum momento ou estação sempre ressurgem os azuis e rosas, os metálicos, os olhos marcados, os lábios marcados, tudo junto, tudo separado, não importa a cor ou a forma. As mulheres podem ser discretas e suaves como nos anos 90, rebeldes e revolucionárias como na década de 70, extravagantes como na década de 80, sexys como na década de 50. Surgem iluminadores, mais produtos cremosos com aparência natural, maquiagem mineral para as peles sensíveis e alérgicas… Vale tudo. Ou quase nada. Você escolhe.

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